William Mendonça
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ECOS DE HUGO CHÁVEZ
 
   É muito mais complexa do que se pensa a figura de Hugo Chávez, líder venezuelano, morto nesta semana, aos 58, vítima de um câncer na região pélvica. De chefe militar a presidente, um homem capaz de mudar o nome do país que governa (para República Bolivariana da Venezuela), o fuso horário e a bandeira, Chávez, apesar de seu DNA caudilhista – que faz lembrar figuras como Perón e Getúlio Vargas – também flertava abertamente com o comunismo “moreno” de Fidel e suas tendências ditatoriais.
   Os resultados práticos para o povo venezuelano dos vários anos de administração Chávez não são desprezíveis. Ele zerou o analfabetismo, promoveu programas de distribuição de renda, reduzindo a distância absurda que sempre houve na Venezuela entre os mais ricos e os mais pobres. Conseguiu, à duras penas, a inclusão do país no Mercosul e passou a ter voz ativa nas discussões internacionais sobre o petróleo.
   Quando Dilma chama, em sua nota de pesar, Hugo Chávez de “amigo do Brasil” não fica, também, longe da verdade. Desde o governo Fernando Henrique, passando especialmente por Lula, e chegando à atual administração, a diplomacia chavista sempre abriu espaço para a presença brasileira em solo venezuelano. O volume de investimento de empresas brasileiras por lá cresceu exponencialmente. Em contrapartida, o Brasil bancou internacionalmente a democracia personalista de Chávez e, há quem diga, se inspirou nela, no fenômeno recente de Lula e seus programas sociais.
   Outros países da América Latina foram fortemente influenciados por Chávez e sua estratégia bolivariana, que ressaltava o “destino de grandeza” da latinidade. A Bolívia de Evo Morales, o Equador de Rafael Corréa e, até mesmo, a Argentina do casal Kirschner, repetiram mais alguns vícios do que as virtudes do governo chavista: repressão à imprensa, nacionalismo exacerbado, auto-exposição na mídia em volumes desmesurados, etc.
   Certamente, pouca gente acreditava que Chávez ficasse tanto tempo no poder, até porque ele havia comandado um golpe militar fracassado em 1992, contra o então presidente Carlos Andrés Perez. Ele e o Movimento Quinta República tentaram chegar ao poder pela força mas foi apenas pelo voto popular, em 1998, que o militar nascido em Sabaneta, a 28 de julho de 1954, conseguiu a tão sonhada presidência .
   Reeleito mais três vezes, Chávez fez mudanças políticas com base na sua esmagadora maioria parlamentar e na capacidade de mobilização popular (entre elas, a própria possibilidade de várias reeleições). Agora, sem ter podido tomar posse devido aos problemas de saúde, morreu deixando o país em um vácuo de poder – presidido pelo seu sucessor imediato, Nicolás Maduro, e prestes a uma nova eleição, que acontecerá em 30 dias.
   Pelo menos, logo após a sua morte, os chefes militares venezuelanos foram à TV prestar juramento de obediência ao presidente interino – o que, lembrando do último século de história na América Latina, pode não querer dizer muito, mas já é uma luz no fim do túnel. Talvez seja a porta aberta para uma transição democrática, só para variar.

(Publicado no JORNAL ITABORAÍ de 08/03/2013)
William Mendonça
Enviado por William Mendonça em 07/03/2013
Alterado em 08/03/2013
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